É alto, caminha um palmo acima e ela não lhe vê os olhos. Por isso deseja que lhe trave o passo e lhe pouse os lábios na fronte ou no cabelo. Só para lhe saber do amor, que nunca é eterno e se conhece instante a instante. Mas o amor atrasa-se constantemente.
Adiante, ela pega-lhe na mão. A sua mão direita e a mão esquerda dele. Só quando estão de frente as mãos se olham em espelho. Fá-lo parecer natural, espontâneo, como se nem tivesse reparado na mão que se escapou do orgulho. Mas queima e os pensamentos, nesses instantes, são feitos de pele entrelaçada.
A dada altura, ela olha-o fixamente e abre-lhe um sorriso que é uma pergunta, uma intimação. Ele responde com um sorriso também. Mas.
Não espera palavras. Ocasionalmente, talvez. São gestos que quer. Gestos de amor para um vício de amor que não cura. E o egoísmo de o querer vulnerável num amor que o curvasse nos desejos e nas vontades.
(Que ames sempre. Eu amo, sobretudo às vezes. Foi um poeta quem disse, mas eu sou poeta também. No desajuste. E na coroa que me faz altivo o porte. E um rei não mendiga, nem sequer amor.)