segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quer-se solto e livre o meu amor
Cavalo sem freio
Ou o andar gingado de um verso


domingo, 29 de maio de 2011

A Lycra do maiô caía na pele como se também fosse. Pele.
Era a nudez absoluta das linhas do corpo: os seios, a concavidade da cintura, as pernas bem torneadas numa distinta anatomia.
O colo bonito, antecâmara de um rosto de linhas vincadas com suavidade, rainha do gelo.
O cabelo apanhado, colado ao crânio, a mesma intransigência que lhe forja o olhar na distância.
Pulsos brancos, tão finos, que são a marca de uma delicadeza que lhe desce pelas mãos de dedos longos, candelabros sem chama, que a beleza é fria e nela não tocarás.
E a linha das clavículas que é o verbo mais-que-perfeito no corpo de uma mulher.
Quando se ergue em pontas de gesso, sustém a respiração e os dentes cerram-se com força, porque dói. Mas está um palmo acima de si e talvez seja capaz de olhar deus nos olhos. O cetim esconde pés ensanguentados. Tudo é belo nela excepto os pés. Os pés nus, deposta a máscara, gritam de dor.
A silhueta de uma bailarina.

Essa fada


terça-feira, 17 de maio de 2011

domingo, 15 de maio de 2011


Lembro-me de olhar o mar e ver fúria só. E durante anos o motivo que a tantos inspira não foi capaz de provocar o mais leve estremecimento na sensibilidade que tão esmeradamente afinei. Estava errado em mim e eu sabia.
Tantos anos passaram até que ocupasse o devido lugar no círculo dos meus amores eternos. O mar de Sophia. Mas veio, como estava certo que viesse.

segunda-feira, 25 de abril de 2011


Se eu, escrevendo, disser que amo, não saberás quem ama, se eu, se a minha vontade.
E nada lerás no meu olhar, senão a agressividade de um animal acossado. O homem pediu-me que não o olhasse daquela maneira. Eu não sabia e constrangeu-me que me tomasse como assaltante. Desde então aprendi a baixar o olhar como quem esconde um pecado.
Digo eu. Digo ela e pensarás que é narciso disfarçado.
Eu não sei. Às vezes, até a mim os véus me confundem. É que o jogo de espelhos pode ser muito perverso. E se tentares fugir, caminharás durante longo tempo e quando parares para recobrar o fôlego, julgando estar longe longe, terás dado a volta ao mundo e estarás um passo ao lado do sítio de onde partiste. Com o amor e o ódio deve ser assim também. O círculo à imagem de deus.
É um círculo. A recta que uniu as pontas num redondo perfeito. Não procures encontrar-me lá, limita-te a aceitar que o círculo é meu e assim me confesso. Mas lembra-te, mais do que uma verdade, a escrita é uma mentira que cobiço.

sábado, 9 de abril de 2011

Laughing with your broken eyes, when the stars go blue...